A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT) deflagrou, na manhã desta terça-feira (19), as operações simultâneas “Eidolon” (segunda fase) e “Falso Mestre” no município de Sorriso. As ações integradas fazem parte do planejamento estratégico para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero contra o crime organizado no Estado. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão, 16 de busca e apreensão, além de bloqueios de contas bancárias, quebras de sigilo financeiro e suspensão de funções públicas expedidos pela 2ª Vara Criminal da comarca.
Conduzida pelo Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro da Delegacia de Sorriso, a segunda fase da Operação Eidolon mirou um grupo estruturado para desviar veículos apreendidos sob a guarda da administração pública municipal. O esquema consistia na identificação de automóveis e motocicletas com pendências administrativas e baixa probabilidade de recuperação pelos donos. Utilizando procurações fraudulentas e termos de liberação falsificados, os criminosos retiravam os veículos dos pátios conveniados para posterior comercialização ilícita.
As investigações apontaram que a organização criminosa contava com uma rede dividida entre servidores públicos, falsificadores, intermediadores e receptadores. Com acesso privilegiado a sistemas públicos e procedimentos cartorários, os envolvidos inseriam dados falsos e emitiam documentos adulterados para regularizar os veículos. Entre os alvos centrais da operação estão um guarda municipal, apontado como o líder operacional do esquema, e um juiz de paz, suspeito de atuar como facilitador das fraudes documentais.
Paralelamente, a Operação Falso Mestre foi deflagrada para desarticular um esquema de fraudes bancárias voltado ao financiamento irregular de automóveis de alto valor, como um Chevrolet Cobalt e um Jeep Renegade. A apuração começou após uma vítima denunciar que havia entregado seus documentos pessoais a um antigo professor, sob o pretexto de realizar a matrícula em um curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Aproveitando-se da relação de confiança, o suspeito utilizou os dados sem autorização para realizar as transações fraudulentas.
A Polícia Civil identificou movimentações financeiras suspeitas, falsificação de assinaturas e tentativas de regularização fraudulenta desses veículos financiados, além de indícios de que a organização criminosa possua conexões interestaduais e caráter transnacional. Nesta ação específica, os policiais civis cumpriram dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão. Os alvos das duas operações deflagradas responderão por crimes como organização criminosa, estelionato, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos públicos.
O delegado responsável pelas investigações, Thiago Meira, destacou a alta complexidade técnica das apurações necessárias para desvendar os mecanismos de ocultação utilizados pelos criminosos. Ele ressaltou ainda que o sucesso das ofensivas simultâneas na manhã de hoje foi resultado direto de uma atuação integrada e contínua entre as forças de segurança locais, o Ministério Público e o Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso.


