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Após 38 anos, “Chacina de Juara” volta ao Tribunal do Júri em Sinop

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Foto Reprodução

O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop realizará, no próximo dia 2 de junho de 2026, a partir das 8h30, o julgamento de sete acusados envolvidos no caso que ficou conhecido como a “Chacina de Juara”, crime ocorrido em janeiro de 1988 e considerado um dos episódios mais marcantes da história criminal de Mato Grosso.

A sessão será realizada na 1ª Vara Criminal de Sinop, em formato híbrido, quase quatro décadas após os fatos que causaram forte repercussão social e jurídica em toda a região norte do Estado.

De acordo com os autos do processo, as vítimas Ademir Marques Ramos, Luiz Carlos Andrade dos Santos e João Batista da Silva foram retiradas da cadeia pública de Porto dos Gaúchos por um grupo de pessoas, após terem sido presas sob suspeita de participação em um latrocínio registrado dias antes na região.

As investigações apontam que os presos teriam sido submetidos a sessões de tortura e posteriormente assassinados em praça pública com extrema violência. Conforme o processo, foram utilizados facões, foices, marretas, machados e pedaços de madeira durante as agressões. Os corpos das vítimas foram expostos em local público, fato que provocou grande comoção na época.

Os réus que irão a julgamento foram identificados como H. D. S., H. G. S., A. R., J. D., A. G. B., S. G. B. e D. A. S., sendo este último julgado à revelia.

O caso chegou a envolver dezenas de denunciados ao longo dos anos. Parte dos acusados foi absolvida em julgamentos anteriores, enquanto outros tiveram a punibilidade extinta ou foram impronunciados por ausência de provas consideradas robustas pela Justiça.

Em razão da forte repercussão regional do episódio, o processo foi desaforado para Sinop, com o objetivo de garantir maior imparcialidade e segurança durante os julgamentos.

O júri reacende debates sobre justiça, memória, violência coletiva e os limites da atuação popular diante da criminalidade, trazendo novamente ao plenário um dos casos mais emblemáticos da história criminal mato-grossense.

A sessão será aberta ao público. A defesa dos acusados será realizada pela Defensoria Pública e pelos advogados criminalistas Bruno Hintz, Maely Marques, Sônia Mara de Carvalho, Vanessa Cobos e Jorge Balbinote, que atuarão no Tribunal do Júri na sustentação das teses apresentadas nos autos.

Texto Assessoria