Técnico reconhece superioridade da Noruega nos momentos decisivos, admite necessidade de renovação no meio-campo e afirma que Brasil tem uma base sólida para o próximo ciclo.
O técnico Carlo Ancelotti demonstrou abatimento, mas adotou um discurso de serenidade após a derrota do Brasil por 2 a 1 para a Noruega, neste domingo (5), resultado que eliminou a Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo. Na entrevista coletiva, o treinador italiano evitou apontar culpados, elogiou a organização da equipe adversária e afirmou que a partir de agora o foco será a reconstrução visando o Mundial de 2030.
Logo no início da coletiva, Ancelotti destacou que a paixão pelo futebol segue sendo seu principal combustível. “Não quero ser exemplo para ninguém. O que tenho é paixão. É a mesma paixão que eu tinha quando era um garoto e ela continua”, afirmou.
Ao analisar a partida, o treinador explicou que a Noruega conseguiu executar exatamente a estratégia que havia planejado. Segundo ele, os europeus controlaram o ritmo da partida com posse de bola, impediram que o Brasil acelerasse o jogo e aproveitaram o momento decisivo para definir a classificação. “Eles conseguiram manter a intensidade baixa durante boa parte do jogo. Até os 70 minutos tivemos controle, mas depois disso o Haaland apareceu e decidiu a partida”, resumiu.
Questionado sobre a possível despedida de Casemiro da Seleção e a necessidade de reformulação do setor de meio-campo, Ancelotti reconheceu que a renovação será inevitável. “É evidente que teremos que pensar nisso. Precisamos que novos jogadores apareçam. Felizmente, existem jovens de muito nível no futebol brasileiro que poderão fazer parte da Seleção no futuro”, declarou.
O treinador também falou sobre o curto período à frente da equipe brasileira. Contratado há cerca de um ano, Ancelotti afirmou que acreditava ser possível conquistar o título, mas reconheceu que agora o momento é de absorver a derrota antes de iniciar um novo planejamento. “Agora precisamos administrar essa tristeza. A partir de amanhã começaremos a pensar no futuro desta Seleção, que já tem um grupo sólido de jovens e também jogadores experientes que ainda podem continuar contribuindo.”
Ancelotti também explicou a decisão de manter Bruno Guimarães como cobrador do primeiro pênalti da partida, mesmo com Vinícius Júnior em campo. Segundo ele, a escolha foi baseada em um levantamento estatístico realizado pela comissão técnica. “Analisamos os números dos nossos jogadores e também dos goleiros adversários. Naquele momento entendemos que Bruno Guimarães era a melhor opção disponível em campo”, justificou.
Sobre as mudanças promovidas no segundo tempo, o treinador afirmou que a entrada de Endrick teve como objetivo dar mais profundidade ao ataque, enquanto Neymar entrou para aumentar a qualidade técnica no último terço do campo. Já as alterações no meio-campo ocorreram, segundo ele, pelo desgaste físico da equipe. Apesar das tentativas, o Brasil perdeu intensidade nos minutos finais e acabou sendo castigado pela eficiência ofensiva da Noruega.
Mesmo eliminado, Ancelotti reforçou confiança no futuro da Seleção Brasileira e garantiu que o trabalho de renovação começa imediatamente, com foco total na preparação para o próximo ciclo mundial.

