Empresários criticam falta de explicações técnicas sobre ferramenta de fiscalização fiscal apresentada em reunião no Teatro Municipal
A implantação de uma ferramenta de inteligência artificial para o cruzamento de dados fiscais, adquirida pela Prefeitura de Alta Floresta ao custo aproximado de R$ 480 mil, provocou forte reação no setor empresarial e expôs falhas na comunicação entre o Executivo e o comércio local. A insatisfação ganhou força na última sexta-feira (05), durante uma reunião realizada no Teatro Municipal, que terminou sem os esclarecimentos esperados pelos empresários.
O encontro, solicitado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), era visto como uma oportunidade para compreender, de forma técnica e detalhada, tanto a finalidade do sistema quanto os critérios de funcionamento da tecnologia, que utiliza inteligência artificial para cruzar dados de notas fiscais, movimentações via cartões e PIX, com foco principalmente em empresas enquadradas no Simples Nacional. No entanto, segundo relatos do setor produtivo, a reunião foi marcada por vídeos institucionais e falas previamente organizadas do secretário e do prefeito, sem espaço para perguntas técnicas, contrapontos ou participação de contadores e especialistas, cuja presença era aguardada.
A condução do evento gerou indignação. Empresários que tentaram se manifestar foram interrompidos em razão do tempo restrito do teatro, elevando a tensão no ambiente. Durante o encontro, comerciantes criticaram a forma como o tema foi apresentado. “Vamos falar a verdade: falaram como se a gente estivesse ganhando imposto. Ninguém ganha imposto, eu não estou ganhando nada em dinheiro”, reclamou um dos participantes.
Uma das manifestações mais contundentes foi do empresário Valmiro Rodrigues de Almeida, proprietário da Estribos Fumiya, que expôs o impacto direto da situação para quem mantém empresas e empregos. “Eu fiz financiamento para pagar o décimo terceiro dos meus funcionários são 40 pessoas para vir aqui ser exposto e ouvir isso. Prefeito, o senhor quer que as empresas da cidade parem? Quem foi o motivador disso aqui? Para que nos chamar, tirar a gente do trabalho e da família, sem nenhuma explicação técnica?”, questionou.
Após a repercussão negativa, o prefeito Chico Gamba (Waldemar Gamba) se manifestou por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais, já que, segundo os empresários, não houve esclarecimentos objetivos durante o encontro presencial. Na gravação, o prefeito afirmou que o sistema não gera cobrança automática nem aplicação retroativa, destacando que a ferramenta tem como finalidade a autorregularização, permitindo que empresas corrijam eventuais inconsistências antes da aplicação de multas. Ele também classificou parte das preocupações como baseadas em “inverdades” e afirmou ter sido surpreendido por questionamentos técnicos que, segundo ele, deveriam ser tratados internamente com a equipe da prefeitura.
O prefeito pediu desculpas aos empresários que se sentiram desrespeitados e anunciou a abertura de um canal para reuniões técnicas e menores, reforçando que, conforme sua avaliação, “nada muda” em relação às práticas que, segundo ele, já vêm sendo adotadas há mais de 20 anos no município.
Mesmo após as explicações, o episódio evidenciou um clima de desconfiança entre o setor produtivo e a administração municipal. Empresários cobram transparência sobre o investimento público, previsibilidade nas ações fiscais e a presença de técnicos especializados nas discussões, especialmente quando decisões envolvem valores elevados e impactam diretamente a rotina, os custos e a sustentabilidade das empresas — responsáveis por movimentar a economia e gerar empregos em Alta Floresta.
