O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de Mato Grosso (SINDSPPEN) divulgou nota pública, nesta terça-feira, posicionando-se sobre o relatório de inspeção realizado na Penitenciária de Sinop, conhecida como Ferrugem. O documento, elaborado pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF), aponta denúncias graves, incluindo supostos casos de tortura e menções a planos contra autoridades.
Na avaliação do sindicato, as informações que vieram a público carecem de uma análise mais ampla e criteriosa. A entidade afirma que a Polícia Penal de Mato Grosso atua com profissionalismo e desempenha papel estratégico na execução do programa estadual Tolerância Zero, voltado ao controle da ordem, disciplina e enfrentamento às organizações criminosas dentro das unidades prisionais.
O SINDSPPEN também manifestou preocupação com a metodologia utilizada na inspeção, alegando que o relatório se baseia majoritariamente em relatos de pessoas privadas de liberdade, muitas delas apontadas como integrantes de facções criminosas. Segundo o sindicato, esse fator exige cautela redobrada na interpretação das denúncias.
Outro ponto questionado é a falta de pluralidade de fontes durante a fiscalização. Conforme a nota, presos de alas de trabalho e grupos religiosos, considerados de bom comportamento, não teriam sido ouvidos. Além disso, nenhum policial penal foi chamado a prestar esclarecimentos, apesar de serem os agentes diretamente responsáveis pela gestão da unidade.
Sobre as denúncias de agressão, o sindicato afirma que situações relatadas por detentos podem, na prática, se enquadrar no uso progressivo da força, previsto em normas técnicas e legais, especialmente em casos de contenção de motins, desobediência ou ações que coloquem em risco a segurança interna.
Apesar das críticas, o SINDSPPEN reforçou que não compactua com ilegalidades. A entidade informou que sua assessoria jurídica acompanhou a inspeção e aguarda a conclusão do relatório técnico para analisar os fatos de forma transparente e com base em critérios legais. O sindicato também alertou para o risco de exposição pública de denúncias antes do encerramento das apurações, especialmente em uma região considerada sensível como Sinop.
