O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva do empresário Gabriel Júnior Tacca, investigado por envolvimento no assassinato de Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, ocorrido em Sorriso. A decisão reforça o entendimento de que a dinâmica do crime ultrapassa um conflito isolado, envolvendo vínculos pessoais e planejamento prévio.
O pedido de liberdade foi analisado pelo ministro Joel Ilan Paciornik, que concluiu pela necessidade de manutenção da custódia para garantia da ordem pública. Para o magistrado, há elementos suficientes que indicam risco social diante da forma como o crime teria sido arquitetado.
Segundo as investigações, a vítima mantinha relação de proximidade com o casal formado por Gabriel Tacca e a médica S. I. de M. Com o passar do tempo, esse vínculo teria evoluído para um envolvimento amoroso entre Ivan e a médica, fato que, conforme o Ministério Público, desencadeou um cenário de tensão e vingança.
De acordo com a acusação, o homicídio não ocorreu de forma impulsiva. O Ministério Público sustenta que Gabriel Tacca e o comerciante Danilo Carlos Guimarães teriam atuado de maneira coordenada, utilizando a relação de confiança com a vítima para colocá-la em situação de vulnerabilidade. A versão apresentada aponta que houve premeditação e dissimulação, com o objetivo de dificultar qualquer reação de defesa.
Após o ataque,z, Ivan Bonotto ainda foi levado ao hospital, numa tentativa de aparentar socorro e afastar suspeitas imediatas. Para os investigadores, essa conduta reforça a tese de tentativa de ocultação da participação no crime.
O caso foi aprofundado durante a Operação Inimigo Íntimo, deflagrada pela Polícia Civil, que resultou na prisão dos suspeitos. As investigações também apontaram que, após o crime, a médica S. I. de M. teria acessado o celular da vítima e apagado mensagens e arquivos. A conduta foi enquadrada como fraude, sem que haja, até o momento, comprovação de sua participação direta na execução do homicídio.
Ao negar o pedido de liberdade, o STJ destacou que as circunstâncias do caso revelam alto grau de gravidade, especialmente pelo uso de laços pessoais como instrumento para a prática do crime. O processo segue em tramitação na Justiça de Mato Grosso, enquanto os investigados permanecem presos à disposição do Judiciário.
