O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Beber, fez um alerta sobre o risco de o Brasil adotar medidas ambientais impraticáveis ao setor produtivo após a COP 30, que será realizada entre 10 e 21 de novembro em Belém (PA). Segundo ele, há uma preocupação real de que o país ceda às pressões internacionais e imponha restrições desproporcionais ao agronegócio, setor que mais contribui para a economia e para o equilíbrio ambiental por meio de tecnologias de baixa emissão.
“O Brasil já leva uma proposta ousada de redução de mais de 40% e quer jogar a maior parte dessa conta para o setor agropecuário, o que não é justo, porque a nossa agricultura de sistema tropical é de plantio direto”, afirmou Beber.
De acordo com o dirigente, o Plano Clima, que está sendo elaborado pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima, prevê ações de mitigação e adaptação até 2035, mas pode atribuir até 60% das metas de redução ao agro, o que ele considera inviável. “Temos o Código Florestal mais restritivo do mundo, preservamos APPs e reservas legais e ainda sequestramos carbono com o plantio direto e a rotação de culturas. É incoerente penalizar o produtor que já faz sua parte”, destacou.
Beber também alertou que o país corre o risco de endurecer as próprias regras, enquanto potências como a China ainda aumentam suas emissões e só projetam neutralidade de carbono para 2060. “O produtor brasileiro não pode pagar uma conta global sozinho. Precisamos de equilíbrio entre sustentabilidade e produção, com políticas baseadas em ciência e não em ideologia”, reforçou.
Durante a COP 30, a Aprosoja-MT será representada pelo vice-presidente Luiz Pedro Bier, que participará de painéis sobre sustentabilidade e inovação agrícola. Também estarão presentes o governador Mauro Mendes (União), que apresentará iniciativas de economia verde, e a Acrimat, que mostrará projetos voltados ao ‘boi verde’, comprovando que a pecuária mato-grossense também é parte da solução climática.
Para Beber, o agronegócio brasileiro já é exemplo mundial em produção responsável e deve ser valorizado, não punido. “O produtor é quem preserva, quem alimenta e quem gera riqueza. Se o Brasil quiser avançar nas metas ambientais, precisa proteger quem faz isso possível: o homem do campo”, concluiu o presidente da Aprosoja.

