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Após laudo que aponta inimputabilidade, caso Gleici reacende debate sobre responsabilidade criminal e revolta familiares

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O caso do assassinato de Gleici Keli Geraldo de Souza, morta com 16 facadas em junho deste ano em Lucas do Rio Verde, voltou a ganhar força nas redes sociais após a divulgação do laudo psiquiátrico que classificou o acusado, Daniel Bennemann Frasson, como parcialmente incapaz de entender seus próprios atos. O documento, elaborado pela Politec, aponta quadro depressivo que pode levar o engenheiro agrônomo a ser submetido a tratamento psiquiátrico em vez de julgamento pelo Tribunal do Júri possibilidade que gerou intensa reação pública.

A filha da vítima, Caroline Fernandes, que assumiu a guarda da irmã de 7 anos ferida no ataque, fez publicações contestando o resultado da perícia e cobrando responsabilização. Para ela, o laudo não condiz com o comportamento do acusado antes do crime. “O mínimo que minha mãe merece é justiça. O mínimo que minha irmã merece é estar segura. Não podemos virar apenas mais um número”, escreveu. A jovem lembrou que a irmã passou 22 dias na UTI, enfrenta sequelas emocionais severas e ainda precisa de medicação constante para lidar com os efeitos do trauma.

Empurrada para o papel de responsável familiar após a tragédia, Caroline relata perdas sucessivas — emprego, moradia e estabilidade — enquanto tenta reconstruir a rotina ao lado da criança. Ela afirma que o laudo ignora a vida normal que o acusado levava: trabalhava, dirigia, socializava e tinha plenas condições cognitivas. “Como alguém que estudou, viajou, organizava planilhas e cobrava gastos da própria família pode ser considerado incapaz?”, questionou em suas postagens.

O assassinato ocorreu durante a madrugada de 24 de junho, quando Gleici dormia ao lado da filha. A menina tentou defender a mãe e também foi esfaqueada. Frasson tentou tirar a própria vida após o ataque, mas foi socorrido e segue em prisão preventiva desde que recebeu alta. Com o laudo de sanidade finalizado, o processo será retomado e o juiz decidirá se o réu irá ao Tribunal do Júri ou se receberá medida de segurança com internação em hospital psiquiátrico.

Enquanto o Ministério Público se prepara para a fase de instrução, o caso reacende uma discussão recorrente no país: até que ponto laudos psiquiátricos podem afastar a responsabilização criminal de autores de crimes violentos? Caroline promete acompanhar cada etapa até o desfecho. “Eu não perdi a fé. Continuo acreditando na Justiça”, declarou.