Segundo a investigação, grupo familiar utilizava ações de evangelização para facilitar a entrada de materiais ilícitos e manter contato com lideranças criminosas.
O delegado Victor Caetano, titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), revelou nesta quinta-feira novos detalhes da Operação Fariseus, deflagrada para desarticular um esquema criminoso que, segundo as investigações, utilizava um projeto de evangelização como fachada para favorecer integrantes de uma facção na Penitenciária Central do Estado (PCE). A operação cumpriu 27 ordens judiciais e identificou a atuação de membros de uma mesma família no suposto repasse de celulares, carregadores, dinheiro e mensagens a detentos do raio de segurança máxima.
De acordo com o delegado, a investigação teve início após uma denúncia anônima e se estendeu por mais de um ano. Durante esse período, a Draco reuniu provas que apontam conversas entre os investigados e lideranças da organização criminosa, além do monitoramento da movimentação de valores em espécie. Conforme Victor Caetano, uma das mulheres presas mantinha contato frequente com um líder da facção atualmente foragido, de quem recebia ordens para distribuir dinheiro e transmitir recados.
As investigações também apontam que os pais da suspeita, identificados como pastores religiosos, teriam participação ativa no esquema. Segundo o delegado, eles eram responsáveis por transportar dinheiro, intermediar mensagens e prestar apoio logístico à organização criminosa. A Polícia Civil afirma ainda que os investigados recebiam benefícios em troca da colaboração, incluindo proteção da facção e vantagens financeiras. Entre os indícios levantados está o pagamento de uma cirurgia plástica para a investigada por um dos líderes do grupo criminoso, além da existência de empresas de fachada utilizadas para movimentação de recursos.
Outro ponto destacado pela Draco são imagens e documentos que reforçariam o vínculo da família com integrantes da facção, incluindo fotografias ao lado de um líder criminoso no Rio de Janeiro e registros dos investigados portando armas de fogo. A polícia também apurou que, após ser vítima de um furto, a principal investigada teria recorrido à própria facção para buscar represálias contra o autor do crime, em vez de registrar ocorrência. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e concluir o inquérito policial.

