Investigação de 11 meses identificou mais de 50 integrantes da organização criminosa; Justiça bloqueou mais de R$ 10 milhões e Polícia Civil apreendeu drogas e veículo de luxo.
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3), a Operação Ragnarok, com o cumprimento de 104 ordens judiciais contra integrantes de uma facção criminosa investigada por tráfico de drogas, posse ilegal de arma de fogo e lavagem de dinheiro em Lucas do Rio Verde e região. As determinações foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e incluem 55 mandados de prisão preventiva, 34 mandados de busca e apreensão e 15 bloqueios de contas bancárias, que somam mais de R$ 10 milhões.
A operação é resultado de uma investigação conduzida há cerca de 11 meses pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF) de Lucas do Rio Verde. Segundo a delegada Paula Moreira, o trabalho teve início após a prisão em flagrante de dois criminosos por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo, ocorridas em julho e agosto do ano passado. A partir dessas prisões, os investigadores identificaram uma estrutura criminosa altamente organizada, composta por mais de 50 integrantes.
“Foi uma investigação complexa, que envolveu toda a equipe da DERF, o Núcleo de Inteligência da Regional de Nova Mutum e a Diretoria de Inteligência da Polícia Civil. Foram meses de levantamento de informações e elaboração de relatórios que subsidiaram o pedido de prisão preventiva de 55 pessoas, todas identificadas como integrantes da organização criminosa”, afirmou a delegada.
As investigações revelaram que o grupo mantinha um sofisticado esquema de movimentação financeira para ocultar os lucros obtidos com o tráfico de drogas. Conforme a Polícia Civil, quatro mulheres desempenhavam papel estratégico na arrecadação e distribuição dos recursos da facção, recebendo valores provenientes da venda de entorpecentes e das chamadas “taxas” cobradas pela organização criminosa. Posteriormente, os recursos eram pulverizados em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento.
Uma das contas utilizadas pertencia a uma empresa de fachada, criada exclusivamente para dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito. “Foram identificadas 15 contas utilizadas para a lavagem de dinheiro. Entre elas havia uma pessoa jurídica fantasma, criada unicamente para movimentar recursos oriundos do tráfico de drogas”, explicou Paula Moreira.
As investigações também apontaram que parte do dinheiro era remetida ao gerente da organização criminosa, que estaria no Rio de Janeiro. Com a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, a Polícia Civil identificou movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada. “Essas pessoas não tinham qualquer justificativa para movimentar valores superiores a R$ 2 milhões durante o período investigado, o que demonstra claramente a prática de lavagem de dinheiro”, destacou a delegada.
Além do cumprimento dos mandados judiciais, a Operação Ragnarok resultou na apreensão de um veículo de luxo e de mais de 10 quilos de entorpecentes. As investigações prosseguem para identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa e aprofundar o rastreamento do patrimônio adquirido com recursos ilícitos.
Para a delegada Paula Moreira, a operação representa um duro golpe contra a atuação do crime organizado na região. “É uma operação exitosa e que demonstra a força da Polícia Civil e das forças de segurança de Mato Grosso no enfrentamento às organizações criminosas”, concluiu.

