Condenado pelo atropelamento coletivo conhecido como “Tragédia do Baldo” vivia com identidade falsa em Mato Grosso e foi localizado após ação conjunta das polícias de MT, RN e da Polícia Federal.
Uma operação integrada entre a Polícia Civil de Mato Grosso, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte e a Polícia Federal resultou na prisão de Aluísio Farias Batista, de 68 anos, condenado por um dos episódios mais marcantes da história do Rio Grande do Norte. Foragido há mais de quatro décadas, ele foi localizado em Cuiabá, onde vivia com documentos falsos e havia constituído uma nova família. O homem foi condenado pelo atropelamento que matou 19 pessoas durante o Carnaval de 1984, no episódio conhecido como “Tragédia do Baldo”.
As investigações tiveram início após troca de informações entre as forças de segurança dos dois estados. A partir daí, equipes de inteligência passaram a atuar em conjunto utilizando sistemas de reconhecimento facial, cruzamento de dados cadastrais e diligências em campo. A identificação definitiva contou com o apoio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT), que confirmaram que o suspeito utilizava a identidade de uma pessoa já falecida.
Na sexta-feira (26), policiais da Gerência Estadual de Polinter localizaram o condenado em uma residência no bairro Jardim Presidente I, em Cuiabá. Segundo a investigação, Aluísio levava uma vida discreta e permanecia fora do radar das autoridades desde que deixou o Rio Grande do Norte. Após o cumprimento do mandado de prisão, ele foi encaminhado à Polinter e colocado à disposição da Justiça.
O crime que levou à condenação ocorreu durante o Carnaval de 1984, quando um ônibus conduzido por Aluísio atropelou foliões que participavam do tradicional bloco Puxa-Sacos, na região do Baldo, em Natal. O acidente provocou a morte de 19 pessoas e deixou dezenas de feridos. Entre as vítimas estavam o neto do então senador Dinarte Mariz e cinco sargentos da Polícia Militar, levando o Governo do Rio Grande do Norte a decretar luto oficial de três dias.
Em depoimentos prestados ao longo dos anos, Aluísio afirmou que havia encerrado seu expediente quando foi chamado para substituir outro motorista. Segundo sua versão, ao descer uma via com pouca iluminação e grande movimentação de Carnaval, precisou desviar de um veículo e acabou atingindo um grupo de integrantes de uma escola de samba. O caso ganhou repercussão nacional e voltou aos holofotes após ser exibido no programa Linha Direta. Conforme relatado pelo próprio condenado, foi após essa exposição que ele deixou o Rio Grande do Norte e passou a viver em Mato Grosso, onde permaneceu escondido por mais de 40 anos até ser localizado pelas forças de segurança.


