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Homicídios entre adolescentes crescem49,5% em MT

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Texto: A Gazeta
O número de homicídios entre adolescentes cresceu 49,5% no período de um ano em Mato Grosso. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O panorama chama a atenção porque, no contexto geral, os dados incluindo vítimas de todas as idades praticamente se mantiveram estáveis, registrando 1.105 casos em 2023 e 1.102 em 2024. No entanto, as mortes de pessoas entre 15 e 19 anos saltaram de 107 para 160 no mesmo período.

Em cinco anos, o crescimento de assassinatos nessa faixa etária foi de 52,4%. O levantamento mostra ainda que, em uma década, 1.399 adolescentes de 15 a 19 anos foram mortos no Estado, o que representa 11% do total de homicídios registrados. A guerra entre facções rivais e o recrutamento cada vez mais precoce de jovens pelas organizações criminosas estão entre os principais fatores apontados para a letalidade desse público.

Com esse aumento, a taxa de homicídios na faixa etária de adolescentes ficou em 56,3 mortes a cada 100 mil habitantes, a quinta maior do país. O promotor de Justiça João Batista de Oliveira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), destacou que os conflitos entre facções impulsionam esses indicadores. Segundo ele, há uma soma de fatores que contribui para o crescimento, incluindo confrontos policiais, violência doméstica e execuções sumárias aplicadas pelos chamados “disciplinas” das organizações criminosas, sob ordens das lideranças.

No cenário nacional, entre 2014 a 2024, 301.825 jovens de 15 a 29 anos foram assassinados — uma média de 75 mortes por dia. Em 2024, 19.801 jovens tiveram suas vidas interrompidas, gerando uma taxa de 42,2 homicídios por 100 mil habitantes. Atualmente, os jovens representam 46,5% de todas as vítimas de mortes violentas intencionais no país.

O estudo aponta que a violência letal entre jovens no Brasil é um fenômeno predominantemente masculino, associado a fatores estruturais e a normas de masculinidade que incentivam a exposição ao risco. De acordo com o relatório, o crime se fortalece diante do descontrole e da superlotação do sistema de execução penal, além da facilidade com que crianças e jovens são arregimentados devido à falta de oportunidades e de perspectivas de uma trajetória de vida satisfatória que possibilite o acesso a meios econômicos legítimos.

A professora de Criminologia e Direito Penal da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Vladia Soares, destacou que o Estado funciona como uma rota estratégica para o tráfico de drogas devido à fronteira com a Bolívia. Essa condição geográfica intensificou o recrutamento de adolescentes pelo tráfico, bem como os conflitos territoriais entre facções em bairros periféricos e em cidades do interior. Ela enfatizou que o Atlas demonstra que a maioria esmagadora dos homicídios de adolescentes ocorre por arma de fogo, superando os 80% de mortes por disparos entre as vítimas de 15 a 19 anos.

Procurada para comentar os dados, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) ressaltou que o Atlas traz informações consolidadas de 2024. A pasta enfatizou que, a partir de novembro daquele ano, a criação do Programa Tolerância Zero às Facções Criminosas fortaleceu as ações de prevenção e repressão à criminalidade por meio da instituição de novas delegacias, aumento do efetivo das forças policiais e investimentos em armamentos e viaturas. A secretaria garantiu ainda que os índices criminais apresentaram redução entre 2024 e 2025, fechando o último ano com o registro de 749 homicídios no Estado.