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“Vigilância do Medo”: Suspeito de estupro em Sorriso monitorava sistema da polícia diariamente antes de ser preso

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Operação coordenada pela delegada Laísa Crisóstomo desarticula ciclo de abusos familiares e revela táticas de monitoramento usadas pelos agressores para evitar a justiça.

A noite de sexta-feira em Sorriso foi marcada por uma operação estratégica que resultou na prisão de dois homens acusados de estupro de vulnerável. O que mais chamou a atenção da equipe da Polícia Judiciária Civil, coordenada pela delegada Laísa Crisóstomo de Paula Leal, foi o nível de alerta de um dos suspeitos. Morador da cidade de Vera, o homem confessou que acessava o Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP) todos os dias na tentativa de antecipar qualquer mandado de prisão contra si, evidenciando que já vivia sob o receio de ser descoberto.

A investigação apurou que os crimes eram praticados por um avô de consideração e um tio das vítimas. O caso veio à tona no final do ano passado, quando a denúncia de uma criança serviu de gatilho para que outros primos também revelassem abusos sofridos nas mãos do mesmo tio. Segundo os depoimentos colhidos pela Dra. Laísa Crisóstomo, os agressores utilizavam métodos clássicos de aliciamento, como a oferta de balas, doces e pequenas quantias em dinheiro, aproveitando-se de momentos em que os menores estavam sem supervisão adulta.

A logística da prisão foi planejada para ser simultânea. Enquanto uma equipe atuava em Sorriso, outra agia em conjunto com a delegacia de Vera. De acordo com a delegada, a execução concomitante foi crucial porque havia um risco real de que, se um soubesse da captura do outro, o segundo suspeito fugisse imediatamente. O homem que monitorava o sistema diariamente acabou sendo pego de surpresa justamente no dia em que não realizou sua consulta de rotina ao banco de dados judiciais.

Além do aspecto policial, a delegada Laísa Crisóstomo fez um alerta contundente à sociedade sobre a “invisibilidade” desse tipo de agressor. Ela destacou que não existe um estereótipo para quem comete esse crime, ressaltando que, muitas vezes, o perigo reside em quem detém a confiança da família. A autoridade policial enfatizou que a única forma de proteção eficaz é a desconfiança preventiva e a presença constante dos pais, alertando que o cuidado deve ser redobrado mesmo dentro do círculo familiar.

Com os mandados de prisão preventiva cumpridos, os dois homens foram encaminhados para as unidades prisionais e permanecem à disposição da Justiça. A Dra. Laísa Crisóstomo reforçou que o trabalho da Polícia Civil em Sorriso segue em regime de tolerância zero contra crimes sexuais, priorizando a celeridade na colheita de provas para garantir que agressores de crianças não permaneçam em liberdade.