Júlia Vitória do Prado da Silva, de 20 anos, foi sepultada na manhã deste sábado no cemitério municipal de Tapurah, após ser vítima de um feminicídio que causou forte comoção na cidade e repercussão também em Santa Catarina, onde parte da família reside. A jovem, que trabalhava como atendente em uma choperia, deixou um filho de apenas 3 anos.
O crime ocorreu na última sexta-feira (10), em uma residência no bairro São Cristóvão. De acordo com o delegado da Polícia Civil, Franklin Pereira Alves, a vítima foi assassinada com golpes de pé de cabra e faca. As investigações apontam que Júlia mantinha um relacionamento com o principal suspeito, um homem de 75 anos, há cerca de um ano. A motivação estaria ligada a um desentendimento entre os dois.
Segundo a Polícia Militar, a equipe foi acionada após denúncias de um homem armado com um facão no local. Ao chegar, os policiais encontraram várias pessoas nas proximidades e localizaram um dos suspeitos no quintal, visivelmente alterado. Durante a entrada na residência, ele foi imobilizado e, nas buscas, os militares encontraram o corpo da jovem próximo ao veículo do suspeito, que estava com o porta-malas aberto, indicando tentativa de ocultação de cadáver.
Um segundo homem, de 66 anos, também foi preso. Ele é suspeito de ter ajudado o autor do crime a tentar colocar o corpo no carro. Conforme apurado, o principal suspeito confessou o assassinato e indicou onde havia escondido as armas utilizadas um pé de cabra e uma faca. Já o outro detido afirmou que apenas auxiliou na tentativa de ocultação, ação que foi interrompida após a chegada de populares.
As investigações apontam ainda que o crime foi cometido com extrema frieza. Há indícios de que a vítima tentou se proteger trancando-se em um quarto, que teria sido arrombado pelo agressor. A Polícia Civil também apura que o corpo permaneceu na residência por horas antes da tentativa de ocultação, que incluiria o descarte no rio Arinos.
Júlia se mudou ainda adolescente de Concórdia (SC) para Tapurah, acompanhando o pai, e construiu sua vida no município. O caso segue sob investigação da Polícia Civil e, se confirmado como feminicídio, será mais um registro alarmante de violência contra a mulher neste ano.
