O empresário Jason Miller, um dos principais conselheiros do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em suas redes sociais uma reportagem da imprensa americana especializada na cobertura da América Latina para provocar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
A publicação faz referência a mensagens enviadas ao ministro por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A expressão utilizada na postagem já foi usada diversas vezes no Brasil, tanto por governistas quanto por integrantes da oposição, para provocar adversários políticos que estariam eventualmente na mira de investigações ou operações da Polícia Federal (PF).
A reportagem do jornal on-line The Rio Times, publicada na sexta-feira (6/3), afirma que as mensagens “levantam questões sobre a natureza das relações” entre Moraes e Vorcaro, que foi preso pela Polícia Federal por suspeita de fraudes financeiras.
“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, dizia Vorcaro em mensagens enviadas na manhã do dia 17 de novembro. Moraes respondeu em seguida, mas o conteúdo da resposta não foi recuperado.
Na quarta-feira, Jason Miller já havia publicado outra reportagem citando um contrato firmado entre a esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci, e o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões. Um trecho da matéria da revista The Economist, reproduzido pelo conselheiro de Trump, afirmava que “Alexandre de Moraes também está em apuros”.
“Surgiram evidências de que a esposa do Sr. Moraes, que é advogada, recebeu um contrato incomumente vago e lucrativo para representar o Banco Master”, diz a reportagem.
O conselheiro de Trump também destacou outro trecho da publicação, que menciona o aumento no número de clientes do escritório de Viviane Barci após a nomeação de Moraes para o STF. “Antes da nomeação do Sr. Moraes, o escritório de advocacia de sua esposa tinha 27 casos perante o STF e o STJ. Hoje ela tem 152”, afirma a reportagem.
Daniel Vorcaro, citado nas publicações, é o controlador do Banco Master e foi preso em novembro de 2025 durante uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes financeiras.
Ao compartilhar as reportagens, Jason Miller escreveu em tom provocativo: “Tick-tock, Xandão”, simulando uma contagem regressiva direcionada ao ministro do STF.
