A Câmara Municipal de Sorriso aprovou as contas de governo referentes ao exercício de 2024, último ano da gestão do ex-prefeito Ari Lafin, após análise baseada em parecer prévio favorável do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. A decisão foi tomada em votação dividida, com seis votos favoráveis e cinco contrários.
O parecer do TCE consta no Relatório nº 61/2025, que avaliou o cumprimento das exigências legais e constitucionais, como os limites de gastos com pessoal, os investimentos mínimos em saúde e educação e o equilíbrio fiscal do município. Embora tenha recomendado a aprovação das contas, o Tribunal também fez apontamentos técnicos, indicando a necessidade de ajustes e aprimoramentos administrativos, reforçando o papel orientador do órgão de controle externo.
Durante o julgamento, vereadores favoráveis destacaram que os apontamentos do TCE não configuram irregularidades graves, nem indicam dolo, má-fé ou desvio de recursos, mas sim correções comuns a processos de gestão pública. Um dos discursos de maior peso foi do vereador Diogo Kriguer, que foi líder de governo durante dois anos na gestão de Ari Lafin.
Em sua manifestação, Diogo afirmou que acompanhou praticamente todo o ciclo administrativo e que seu voto se baseou em critérios técnicos. Ele ressaltou o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, a aplicação de percentuais acima do mínimo constitucional em áreas essenciais e destacou que o próprio Tribunal de Contas foi claro ao apontar a ausência de dolo, havendo apenas recomendações passíveis de correção. Segundo ele, administrar um município em rápido crescimento exige ajustes constantes, mas os números demonstram que as obrigações legais foram atendidas.
Os parlamentares que votaram contra a aprovação sustentaram críticas relacionadas à efetividade de políticas públicas e a desafios estruturais do município, especialmente em áreas como habitação, meio ambiente, resíduos sólidos, causa animal e políticas sociais, defendendo maior efetividade das ações na ponta.
A composição dos votos também chamou a atenção nos bastidores políticos. A maioria dos votos contrários partiu de vereadores que integraram grupos políticos derrotados na última eleição majoritária, na qual seus candidatos a prefeito não obtiveram êxito. Por outro lado, vereadores alinhados ao campo político vencedor concentraram os votos favoráveis à aprovação das contas.
O presidente da Câmara, Rodrigo Matterazzi, explicou que o rito seguiu rigorosamente o que determina a Constituição Federal e o Regimento Interno do Legislativo. Ele lembrou que, para a rejeição das contas, seria necessário o voto de dois terços dos vereadores, quórum que não foi alcançado, o que resultou na aprovação do parecer favorável do TCE.
Na votação, foram seis votos favoráveis — Brendo Braga, Diogo Kriguer, Rodrigo Matterazzi, Toco Baggio, Emerson Farias e Wanderley Paulo — e cinco votos contrários — Silvana Perim, Jane Delaribera, Darci Gonsalves, Gringo do Barreiro e Adir Cunico.
Com a aprovação, todas as contas dos oito anos de gestão de Ari Lafin permanecem validadas pelo Tribunal de Contas. Ao final da sessão, o vereador Brendo Braga relembrou que, além do crivo técnico do TCE e da decisão do Legislativo, a administração também foi submetida à avaliação da população.
Segundo ele, Ari Lafin encerrou o mandato com aprovação superior a 82%, foi reeleito com 30.179 votos, o equivalente a 73,62% dos votos válidos, ainda no primeiro turno, e conseguiu fazer o sucessor, evidenciando que a gestão também recebeu o reconhecimento das urnas.
A votação evidenciou, assim, não apenas o debate técnico sobre as contas públicas, mas também a divisão política ainda presente no Legislativo municipal após o processo eleitoral, em um julgamento que combinou critérios legais, avaliação administrativa e leitura do cenário político local.
