Mato Grosso deu um passo estratégico para fortalecer sua posição no mercado nacional de biocombustíveis com o início dos estudos para a implantação de um etanolduto, sistema de transporte por tubulações voltado ao escoamento da produção de etanol de forma mais eficiente e competitiva. A proposta busca reduzir custos logísticos, ampliar a capacidade de distribuição e conectar diretamente usinas e polos produtores do Estado aos principais mercados consumidores de outras regiões do país.
A iniciativa foi debatida recentemente em reunião entre dirigentes de 11 grandes indústrias de etanol à base de milho, ligadas ao Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Bioind), com o governador Mauro Mendes e o vice-governador Otaviano Pivetta. O encontro reforçou a necessidade de soluções estruturantes para sustentar o crescimento acelerado do setor no Estado.
Atualmente, Mato Grosso ocupa a segunda posição no ranking nacional de produção de etanol, com destaque para o combustível produzido a partir do milho. Para a safra 2025/2026, a estimativa é que a produção alcance cerca de 5,98 bilhões de litros, número que pode crescer ainda mais caso haja avanços em infraestrutura logística e segurança jurídica para novos investimentos.
Durante o debate, o governador Mauro Mendes destacou que o custo logístico ainda é um dos principais gargalos para a competitividade do setor. Segundo ele, enfrentar esse desafio é essencial para garantir que a bioenergia continue atraente e sustentável no longo prazo. O governador também ressaltou o papel estratégico do segmento para a economia estadual e defendeu a atuação do poder público como facilitador de soluções conjuntas com a iniciativa privada.
Além da logística, outro ponto central da discussão foi a necessidade de políticas públicas voltadas à biomassa e à bioeconomia, com planejamento de longo prazo. O setor enfrenta atualmente déficit no fornecimento de biomassa, insumo essencial para o funcionamento das indústrias de bioenergia, o que reforça a importância de incentivos à produção, previsibilidade regulatória e segurança no abastecimento.
Com o estudo do etanolduto, Mato Grosso sinaliza a intenção de avançar para uma nova etapa do desenvolvimento da bioenergia, integrando produção, logística e sustentabilidade, e consolidando-se como um dos principais polos do setor no Brasil.
