Início Cidades Sinop Projeto aprovado às pressas cria verba mensal de quase R$ 10 mil...

Projeto aprovado às pressas cria verba mensal de quase R$ 10 mil para cúpula do Executivo em Sinop e gera reação popular

0

No encerramento da última sessão legislativa, a Prefeitura de Sinop encaminhou à Câmara Municipal de Sinop um projeto de lei que institui o pagamento de verba indenizatória mensal, no valor de quase R$ 10 mil, destinada ao prefeito, vice-prefeito, secretários municipais, procurador-geral e controlador-geral do município.

Embora classificado formalmente como “verba indenizatória”, o benefício será pago de forma fixa e mensal, acumulando-se aos salários já recebidos pelos agentes políticos e integrantes do alto escalão do Executivo. Na prática, a medida cria uma remuneração adicional permanente, o que levantou questionamentos imediatos sobre sua natureza e finalidade.

A proposta foi aprovada por 9 votos a 6, em regime extra pauta, no apagar das luzes da sessão legislativa, sem debate público prévio ou participação da sociedade. A tramitação acelerada e discreta provocou forte reação entre moradores do município, que passaram a manifestar indignação nas redes sociais e em espaços públicos.

O tema ganhou ainda mais repercussão após manifestação do vereador Dr. Marcos Vinícius, líder da oposição, que trouxe a público um ponto sensível até então pouco discutido. Segundo o parlamentar, entre os secretários diretamente beneficiados pela nova verba estão Sheila Pedroso, ex-primeira-dama e ex-esposa do prefeito Roberto Dorner, e Sinéia Abreu, mãe do vice-prefeito Paulinho Abreu.

A situação reacendeu o debate sobre o respeito aos princípios constitucionais da moralidade, impessoalidade e transparência na administração pública. Para críticos da medida, a inclusão de familiares diretos do núcleo político do Executivo entre os beneficiários do novo benefício levanta suspeitas de favorecimento e de possível nepotismo indireto, ainda que formalmente amparado por lei.

Diante da repercussão negativa, a população passou a questionar não apenas a decisão do Legislativo, mas também a ausência de posicionamento mais firme por parte do Ministério Público, mesmo diante de denúncias e indícios que, segundo moradores, mereceriam apuração mais aprofundada.

O episódio ampliou a sensação de distanciamento entre o poder público e os interesses da coletividade, reacendendo o debate sobre transparência, controle social e o uso responsável dos recursos públicos em Sinop.