O assassinato de Everton Gabriel Khel Maiolli, 24 anos, ganhou novos contornos após a Polícia Civil prender um dos envolvidos e confirmar que o jovem foi morto com requintes de crueldade dentro da própria quitinete, no bairro Monte Líbano I, em Sorriso. A investigação aponta que o crime foi planejado, durou mais de três horas e teria sido acompanhado por mandantes de dentro do sistema prisional por meio de videochamada.
De acordo com o delegado Bruno França, Everton foi rendido logo após chegar em casa por dois homens que já o aguardavam na esquina da rua. Um deles era amigo da vítima, o que facilitou a entrada no imóvel sem resistência. Dentro da residência, os criminosos passaram a vasculhar o local em busca de indícios de que ele estaria negociando drogas com uma facção rival.
Conforme a Polícia Civil, os suspeitos encontraram entorpecentes e registros no celular da vítima e iniciaram uma sessão de agressão e tortura enquanto se comunicavam ao vivo com os supostos mandantes. O laudo pericial aponta que Everton sofreu traumatismo na cabeça, asfixia mecânica e foi queimado ainda com vida, já que as queimaduras de terceiro grau constam como causa da morte.
O corpo foi descoberto após o Corpo de Bombeiros ser acionado para controlar um incêndio no local. O estado de carbonização era tão intenso que apenas um dedo pôde ser analisado pela Politec para confirmar a identidade.
O suspeito preso confessou informalmente ter participado da imobilização da vítima e da comunicação com os autores intelectuais do crime. A Polícia Civil agora trabalha para localizar o segundo homem envolvido na execução e aprofundar a investigação sobre o comando dado de dentro da prisão.
De acordo com o delegado, o caso revela um padrão cada vez mais comum: execuções determinadas de dentro das penitenciárias, organizadas com frieza e alto grau de violência, mesmo em pequenas residências dentro da cidade.

