A apreensão de um adolescente de 17 anos, na tarde desta sexta-feira (21), revelou novos detalhes sobre a série de execuções que chocou Sinop nas últimas semanas. O jovem afirmou à polícia ter participado do triplo homicídio cometido pelo Comando Vermelho (CV) como retaliação à morte do motorista de aplicativo Luciano Alves da Silva, de 20 anos, assassinado durante um roubo no início do mês.
A ação policial ocorreu durante patrulhamento em uma área de mata, quando militares flagraram dois jovens em atitude suspeita. A dupla tentou fugir, descartando objetos e quebrando celulares durante a corrida, mas foi alcançada poucos metros depois. O adolescente detido admitiu integrar a facção e disse ter recebido a ordem direta para executar as vítimas.
As mortes, segundo a Polícia Civil, fazem parte de uma “correção interna” do Comando Vermelho. Os quatro mortos — três adolescentes e um adulto — eram apontados como responsáveis pela morte do motorista, crime que teria sido cometido sem autorização da facção, o que gerou a retaliação imediata.
Em seu depoimento, o menor detalhou que dois revólveres foram utilizados tanto nas execuções quanto no descarte dos corpos, encontrados amarrados em dois pontos diferentes da cidade. Ele também afirmou que as armas foram entregues posteriormente a um integrante do “paiol” da facção, localizado na região conhecida como Complexo, no Grande São Cristóvão — área já monitorada pelas forças de segurança pela atuação de organizações criminosas.
Ao lado dos corpos, um bilhete com assinatura do CV reforçava a motivação da chacina. Para os investigadores, o recado tinha dois objetivos: demonstrar controle interno e intimidar possíveis dissidências.
Durante a checagem, os policiais confirmaram que havia um mandado de busca e apreensão em aberto contra o adolescente. O segundo jovem detido, de 19 anos, relatou dever R$ 2,5 mil à facção por drogas recebidas para venda e que colaborava com o grupo para “pagar a dívida”. Ele também tentou destruir um celular durante a fuga.
Ambos foram encaminhados à Delegacia de Polícia, apresentando escoriações causadas pela tentativa de fuga pela mata. A Polícia Civil segue investigando o caso e apura a estrutura e a atuação da célula do Comando Vermelho responsável pelas execuções.

