Lumar Costa da Silva, condenado pelo assassinato da tia Maria Zélia da Silva em 2019, em Sorriso (MT), voltou a ser detido após violar medidas impostas pela Justiça. A prisão ocorreu na última sexta-feira (14), em São Paulo, meses depois de ele ter recebido autorização para deixar o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, em Cuiabá, onde cumpria medida de segurança.
De acordo com a decisão judicial, Lumar deixou de cumprir obrigações consideradas essenciais para sua permanência fora da internação. Entre elas, abandonar o tratamento psiquiátrico ambulatorial, interromper o uso regular de medicamentos e envolver-se em outro episódio de violência doméstica. O juiz Geraldo Fidélis, da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, ressaltou que as novas condutas repetem o padrão de violência que marcou o crime de 2019, o que representaria risco concreto para a sociedade.
O caso ganhou repercussão nacional à época pela extrema violência. Lumar havia chegado a Sorriso dias antes do crime e, sob efeito de drogas e alegando ouvir “vozes”, matou a tia a facadas, arrancou o coração dela e levou o órgão até a prima, filha da vítima. Após o assassinato, ele roubou o carro da prima e ainda tentou sequestrar a filha dela, de sete anos. Antes de vir a Mato Grosso, ele já havia tentado matar a própria mãe em Campinas (SP).
A liberação de Lumar, em junho deste ano, provocou preocupação e medo entre familiares da vítima, especialmente na filha de Maria Zélia, Patrícia Cosmo. Em entrevistas recentes, ela afirmou ter revivido o trauma de 2019 e relatou que a família passou a viver em estado permanente de alerta diante da possibilidade de reencontrar o agressor. Para os familiares, a nova decisão traz alívio e a expectativa de que a Justiça trate o caso com maior rigor.
Com a revogação da desinternação, Lumar será novamente encaminhado ao CIAPS Adauto Botelho, em Cuiabá, onde deve passar por uma reavaliação completa do quadro psiquiátrico. A Justiça proibiu seu recolhimento em unidades prisionais comuns e determinou que o acompanhamento médico seja retomado em caráter intensivo. A defesa, que anteriormente comemorou a liberação por entender que ele necessitava de tratamento e não de prisão, ainda não se manifestou sobre a nova determinação. O processo seguirá sob avaliação da Justiça de Mato Grosso, que deverá reexaminar a periculosidade do acusado após nova perícia.

